
ABRIGOS PARA CRIANÇAS NECESSITADAS
Depois de alguns meses a diretoria central da Christian Church oF North América veio para o Brasil, fazer uma visita na cidade de Osasco em nossa igreja.
Tivemos algumas reuniões para discutir detalhes sobre a colaboração que dariam ao ministério de meu pai.
Ao término do ciclo de reuniões o Rev. Guy Bongiovanni , responsável pelo grupo, falou de maneira alegre: “Sentimos o seu coração e gostamos do que o Senhor nos mostrou. Nós o amamos e a partir deste momento você se juntará a cinquenta nações, nas quais estão presentes os nossos missionários. Todas as vezes que tiver uma necessidade de oração ou de uma palavra de exortação é só pedir. Nós sempre estaremos prontos para abençoar e servir”.
Depois destas lindas palavras, as duas partes assinaram um documento, uma Aliança de amor, sem seguida disseram que iriam elaborar um projeto de assistência social para o Brasil.
O projeto que estava no coração de meu pai era aquela construção da casa, para abrigar crianças, O Lar “Gotas de amor” que era apenas um sonho.
Com “aquela” pasta nas mãos, expôs o projeto, primeiramente a Christian Church, na esperança de receber ajuda para a construção da casa.
Os diretores ouviram com muita atenção, mas no fim perguntaram: “Deus falou com o irmão?”
Na resposta afirmativa de meu pai concluíram:
- “Deus falou com você, mas não para nós. Quem deve construir esta casa é o irmão”. E mudaram de assunto.
Meu pai recolocou o projeto na “pasta”, triste... mas tinha certeza que Deus abriria outras portas.
Pregou em dezessete igrejas de língua italiana ou portuguesa, falou do projeto, mas ninguém lhe ajudou, somente achavam um corajoso projeto.
O dia em que iriam voltar para o Brasil estava se aproximando, precisamente era uma quarta feira, quando pregou em Harrison em New Jersey.
Estavam na casa do pastor da igreja, quando alguém telefonou convidando-os para visitar uma igreja.
Responderam que já tinham um compromisso para jantar com os pastores da região, porque na sexta feira, ao meio dia, voltariam para o Brasil.
Em resposta ouviram em resposta uma palavra dura:
“O senhor veio aos Estados Unidos para comer ou para servir a Deus?”
Meu pai não sabendo o que responder olhou para o pastor da igreja que fez um sinal para que não levasse a sério aquela pessoa.
Oraram e resolveram aceitar aquele estranho convite, cancelando o jantar para visitarem aquela igreja.
O culto foi especial, conheceram o Pr. David Demola que os convidou para um Congresso em sua igreja.
No dia seguinte o homem que fizera o estranho convite que era o irmão Dr. Alan Barreto, um dentista brasileiro, que morava nos Estados Unidos e sua esposa Trindade vieram ao aeroporto para despedirem-se de meus pais, trouxeram um envelope bem fechado dizendo que ali não tinha dinheiro nem cheque e que somente o abrisse quando estivessem sentados no avião.
Uma vez a bordo do avião abriram o envelope, e dentro tinha um documento, uma doação de um terreno na Granja Viana em Cotia, e uma carta, explicando que com a venda daquele terreno fosse iniciada a construção da casa para as crianças.
Era a resposta que meu pai tanto esperava, tratava-se de um belo terreno, mas ocupado por três famílias há mais de dez anos, esses invasores podiam reclamar a posse daquele terreno, seria o fim de nossas esperanças.
Enquanto meu pai olhava o terreno, aproximou-se um senhor e perguntou se ele estava com algum problema.
Papai mostrou a carta e disse que este era o motivo de estar ali, conhecendo o terreno. Em seguida falou do projeto e da forma como tinha ganhado aquele terreno.
Este senhor era um vizinho, advogado, que sempre desejara comprar aquele terreno.
Fizemos uma avaliação através de uma imobiliária, vendemos o terreno e rapidamente fizemos os alicerces da casa.
O sonho começava a concretizar-se!
Precisava de muito mais dinheiro, buscava saída através da oração, e o Senhor foi mostrando os caminhos.
Um amigo o aconselhou a comprar uma maquina para confecção de blocos de cimento. Era uma boa ideia, mas não tinha dinheiro para fazer esta compra.
Procurou a máquina, depois de várias buscas encontrou uma que custava a metade do preço, mas mesmo assim para nós era impossível.
No dia 8 de maio do ano 1988 uma data muito triste para a nossa família.
Era dia das mães, Deus chamou para si minha nonna Marina, mãe de meu pai. Tocou o telefone de nossa casa, meu pai respondeu com a voz quebrada pela dor, era o dono da maquina que tinha abaixado o preço pela metade.
Era um bom negócio e papai pediu para este senhor mais cinco dias porque naquele dia tinha que fazer o funeral de sua mãe.
Exatamente dois dias depois chegou um envelope da cidade de Lexemburgo, uma oferta que continha o exato valor da máquina de blocos, enviados pelo casal De Santis, missionários na Europa.
Esses são milagres que somente quem conhece verdadeiramente a Deus pode entender.
Com a compra da máquina começaram a confeccionar os primeiros blocos, meu pai teve que aprender, (era um trabalho totalmente diferente daquele que fizera durante toda a vida).
Novamente o dinheiro acabou, e a construção parecia destinada a parar.
Papai passou a tarde em comunhão com Deus falando:
- “Senhor eu sei que tu está nesse projeto, por favor, me diga o que fazer? Amanhã vou ter que mandar embora os operários”.
Quando foi dormir, por volta da meia noite tocou o telefone de nossa casa, era um pastor do Canadá que mesmo sabendo que era tarde no Brasil, disse que teve que acordá-lo porque Deus tinha falado a um presbítero irmão Gesualdi para mandar com urgência uma oferta de amor para o Brasil.
Este caro irmão tinha atravessado a cidade de Montreal para enviar com urgência uma boa oferta para que não fosse parada a construção da casa para crianças.
Poucos meses meus pais foram convidados a voltarem para o Canadá e o irmão Manafó os recebeu com muito amor dizendo:
- “A alegria voltou ao Canadá, a igreja não vê a hora de abraçá-los”.
Ficaram na cidade somente uma semana, pois tinham recebido mais de cem convites dos irmãos da igreja para que almoçassem ou jantassem em suas casas.
Foram para Toronto encontrar o querido Pr. Daniele Ippolito, que meu pai chamou carinhosamente de “pai” pelo carinho e amor sempre por ele demonstrado. Foram convidados para pregar em uma pequena igreja que se reunia em um porão.
Eram dias de um calor insuportável, na igreja haviam poucas pessoas, meu pai pregou sobre o grande amor de Deus e depois convidou os presentes a orarem.
Os poucos presentes vieram ao altar para uma oração pessoal.
Ao impor as mãos sobre as pessoas, um dos presentes perguntou: “Porque o senhor colocou a mão sobre somente um olho meu? Por que não colocou a mão sobre os dois olhos? Voltei a enxergar de um olho, mas ainda estou cego do outro”.
(Boa pergunta, meu pai não sabia que este homem era cego).
Orou agora sobre os dois olhos, o homem começou a dizer: “Agora estou vendo dos dois olhos!”, pulava a gritava.
Terminado o culto, correu a pé pela cidade, lia todas as placas nas ruas, ficava de joelhos na calçada agradecendo a Deus pelo milagre, falando a todas as pessoas que encontrava: “Deus me curou, eu era cego e agora vejo!”.
Na saída, uma senhora de idade avançada aproximou-se e colocou em seu bolso um cheque para a construção da casa Gotas de Amor.
Era o dinheiro que faltava para comprar azulejos, o piso e a parte elétrica.
Foi um período intenso de oração e muito trabalho.
Muitas vezes o dinheiro acabava, mas a fidelidade do Senhor foi demonstrada em cada etapa da obra.
A casa ficou pronta em três anos, para Glória do Senhor e derrota daqueles que duvidaram que aquela construção um dia chegasse ao final.
No dia 07 de janeiro de 1.990, com uma grande festa o “Lar Gotas de Amor” foi inaugurado.
Em 1.995 o Senhor preparou um encontro na Itália com o Pr. Beniamino Bertini que levava ajuda humanitária, aos flagelados da ex Iuguslávia.
Falaram muito sobre os projetos, pois os dois sentem no coração a alegria em ajudar aos necessitados.
Em 1.999 foi aberta na Itália, uma associação Cristã com o nome de “Gocce d’Amore” (Gotas de Amor), começaram planejando abrir uma casa para acolher crianças carentes na cidade do Rio de Janeiro.
Compraram um terreno e construíram uma casa no bairro de Tomazinho em São João de Meriti, chamada de “Semeando Amor” (onde atendemos até os dias de hoje a sessenta crianças e suas famílias).
Depois de alguns anos, o Senhor permitiu a construção de mais uma casa ao lado da primeira para abrigar meninas órfãs.
Hoje Gocce d’Amore possui duas casas para acolher crianças na Argentina, uma no Haiti, uma no Siri Lanka e uma outra em Burkina Faso, no centro da África.
Meu pai não tem duvidas que a casa “Lar Gotas de amor” é um projeto de Deus.
Por quinze anos funcionou como orfanato até o mês de Novembro 2004, atendia a 55 meninos na primeira casa e 22 meninas na segunda casa.
A lei no Brasil que dita as normas para os orfanatos foi mudada, e as novas diretrizes são diferentes daquelas nas quais meu pai acreditava.
Nosso ideal era o de um verdadeiro lar para aqueles órfãos, e não apenas um local onde pudessem morar.
Agora com o nome de Abrigo, as crianças entravam e saiam por ordem do Juiz.
Não poderíamos falar de Jesus, não poderíamos fazer cultos e nem levá-los para a igreja.
As crianças internas é que deveriam escolher aonde queriam ir.
Meu pai não era mais o pai das crianças, mas sim o mantenedor e administrador.
Eram novas regras ditadas pelo juiz da cidade.
Sempre com a missão de ampararmos crianças, nos vimos obrigados a funcionarmos como creche.
Hoje atendemos a oitenta e quatro crianças de um a seis anos de idade, em regime de externato. Passam o dia inteiro na casa, só vão dormir com a família e no outro dia as sete horas da manhã estão de volta.
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Extraído na íntegra das páginas 119 a 128 do livro Você ama alguém?
A biografia do Bispo Alfredo Tiezzi
com autorização da autora Miriam Tiezzi Galhardo

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